quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Marca de uma lágrima



E o meu amado o que diria
Se eu partisse?
O que diria se estes versos
Não ouvisse?
O que teria em suas mãos
Senão um corpo dessangrado
Cheio de carne, de suspiros,
De delírio apaixonado?
Faltaria, porém, o recheio das idéias,
A loucura e a razão,
Que transforma um encontro sem graça
Em tremenda paixão!
Mas não tema o meu querido
Que esse amor desapareça,
Pois ele é amado ao mesmo tempo
Por um corpo e uma cabeça.
O corpo ele pode beijar, cheirar,
Fazer do corpo mulher.
Mas a cabeça o possui, manipula,
E faz dele o que quer!
Haja o que houver, do meu amor
Esse garoto foi o rei.
 Digam a ele que com corpo  e cabeça
 Eu sempre o amarei.
A marca desta lágrima testemunha
Que eu o amei perdidamente.
Em suas mãos depositei a minha vida
E me entreguei completamente.
Assinei com minhas lágrimas
Cada verso que lhe dei,
Como se fossem confetes
De um carnaval que não brinquei.
Mas a cabeça apaixonada delirou
Foi farsante, vigarista, mascarada,
F oi amante, entregando-lhe outra amada,
Foi covarde que amando nunca amou!

Pedro Bandeira, A marca de uma lágrima

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